Ao passear-me pelos blogs, deparo-me que um grande número de mamãs "tem" de dar suplemento aos seus bebés, e fico perplexa.
Considero-me uma pessoa informada, sempre li muito e a puericultura em particular sempre esteve dentro das minhas áreas de interesse, e desde o nascimento da minha mana (há quase 12 anos) que sou leitora assidua de revistas e livros do tema. Além disso tenho 3 filhotes, o que faz com que já tenha algum (muito) conhecimento de causa também em termos prático.
Começando pela teoria - o leite materno é o melhor que existe para o bebé, salvo RARAS excepções, preenche todas as necessidades do bebé até aos 6 meses. Os casos em que isso não se verifica são mesmo muito raros. A maioria dos bebés a quem lhes é impingido suplemento não precisam dele para nada.
É mais fácil de beber pelo biberon do que pela mama, ao obrigar os bebés aos biberons, o mais certo é que em pouco tempo eles comecem a mamar menos, o que provoca uma diminuição da produção do leite da mamã e por conseguinte um progressivo aumento do suplemento, até à passagem completa para o leite em pó.
É normal apertarmos a mama e não sair leite, não quer dizer que ele não esteja lá; é normal tentarmos tirar com a bomba e sair pouco, não quer dizer que se o bebé mamar não o consegue tirar; é normal que um tempo depois de se começar a amamentação as mamas não fiquem tão grandes, não quer dizer que tenham menos leite, apenas já não ficam inchadas; é normal os bebés flutuarem entre percentis, os percentis são mera estatistica, os nossos bebés são reais; é normal que ao principio seja dificil amamentar, mas com o tempo (e se for preciso, ajuda especializada) a coisa vai lá; as crianças não morrem à fome se tiverem comida disponível, se lhe oferecermos o biberon e ele rejeitar é porque não precisa; a amamentação não deve ter horários rígidos; o bebé mama a maioria do leite nos primeiro 2 minutos; se o bebé quiser mamar uma hora depois da última mamada, ele que mame, pode ser sede, pode ser mimo, não quer dizer que o leite não presta nem que está a começar a faltar; os bebés amamentados não engordam tão depressa como os a leite em pó (tantos outros factos que podia pôr aqui, mas agora de cabeça, de repente e a esta hora não me sai mais nenhum).
Os pediatras são médicos, são pessoas treinadas para tratar, para tentar manter as coisas nos eixos, que passam remédios, receitas, muitas vezes não estão sensibilizados para as questões da amamentação convenientemente. Se estivessem, quando um bebé baixa de percentil, o médico deveria dar indicações para a dieta da mãe e não impingir logo um leite em pó ao bebé (há vários livros e sites sobre estes assuntos, vou procurar e pôr na barra do lado que pode dar jeito a alguém).
A prática - No primeiro filho todos têm o que dizer, no meu caso não foi excepção.
O menino tá magrinho, ele pede muita mama é porque o leite não presta, não o deixes dormir tantas horas seguidas, devias dar-lhe um suplemento, dicas construtivas nada...
O Rafael perdeu mais peso que o suposto nos primeiros dias e não o recuperou nas supostas 2 semanas que "manda" a tabela. O na altura pediatra dele fez-me um ultimatum de que se o rapaz não engordasse X naquela semana ia para suplemento. Grande stress, eu não queria nada ter de dar suplemento ao rapaz, mas tinha sempre o papão de que a minha mãe também não me tinha conseguido amamentar muito tempo... Por indicação do pediatra passei a acordar o bebé de 3 em 3 horas para mamar e "obrigava-o" a mamar 15 minutos em cada mama, ensinou-me a fazer-lhe uma coisa num pezinho para o caso de adormecer, que ele acordava logo e chorava que se fartava, para mamar os tais 15 minutos em cada uma, no mínimo. O rapaz lá engordou o que mandaram e continuamos com a maminha em exclusivo por 5 meses (ele entrou na escolinha aos 5 meses e meio).
Antes de nascer a Flor mudei de pediatra. A Flor nasceu mais pequenina que o Rafa (de 37 semanas), perdeu mais peso que o suposto e não o recuperou nas supostas 2 semanas. Disse à médica que com o Rafa também tinha sido assim, não impôs regra nenhuma, nenhum stress, a rapariga sempre mamou quando quis e o que tempo que quis, dormiu quando quis, e sempre cresceu e engordou (e posso dizer que é esperta como um raio). Mamou em exclusivo 5 meses, passou para as papas por eu ter visto que ela já queria algo mais.
Com o Kiko então já nem me lembro se perdeu mais peso ou se recuperou na altura devida pois nem dei atenção a isso. Voltou a ser amamentado em exclusivo 5 meses, altura em que entrou na escolinha. O biberon foi introduzido nessa altura, sem qualquer tipo de problema, sem forçar.
Por favor, não stressem com o peso dos vossos bebés, não os obriguem a beber biberons quando eles não querem nem precisam. Tenham cuidado com a vossa alimentação, descansem, informem-se, não pensei que o que os pediatras dizem é lei pois eles são humanos e são "tratadores de doenças". Vão ver que os bebés crescem, engordam, não passam fome, vão ser lindos e saudáveis :)
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29 março 2009
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